Entrevista - Holly Black


Considerada a mais promissora escritora americana infantil atualmente, ela é autora de dezenas de livros, entre eles o estrondoso sucesso “As Crônicas de Spidewick”. Agora, sua nova série foi lançada: The Curse Workers. White Cat, o primeiro volume faz sucesso nos EUA. Ela é Holly Black, que conversa com a gente agora.


IgorPara começar, gostaria de agradecer a oportunidade de lhe entrevistar. Por favor, fale um pouco sobre o início de sua carreira literária, suas influências, seus autores preferidos, etc.
Holly - Cresci lendo um monte de fantasia. Eu amei Madeleine L'Engle, Lloyd Alexander, J. R. R. Tolkien e depois, mais tarde, Tanith Lee, Michael Moorcock, Charles de Lint, Terri Windling, Neil Gaiman e Ellen Kushner. Eu sempre escrevi, mas em algum momento eu decidi levar aquilo a sério e escrever um romance. O problema era que eu realmente não sabia como. Então eu me esforcei ao longo de cinco anos, até que terminei o livro que agora é TITHE: A MODERN FAERIE TALE (Dízimo: Um Conto de Fadas Moderno em tradução livre).


Igor - Como surgiu a idéia para SPIDEWICK CHRONICLES? Você foi inspirada por algo ou alguém para criar a história ou os personagens?
Holly - As pessoas pensam que a descrição do livro de como a história surgiu é fictícia, mas não é. Tony e eu realmente respondemos a três crianças que afirmaram ter tido experiências reais com fadas. Nós não temos idéia se isso é verdade, mas pensamos que isso daria para escrever uma grande história. Tony e eu amamos o folclore das fadas e tínhamos esperança de trabalhar em um projeto juntos. Mas os nomes para os personagens só apareceram para mim, sem que eu me inspirasse em ninguém. Às vezes não escolhemos - eles apenas se encaixam.


Igor - White Cat (“Gato Branco” em tradução livre) foi lançado este ano nos Estados Unidos. Como você teve a idéia para escrevê-lo? O que podemos esperar deste livro? Você poderia fazer um breve resumo da história?
Holly - Eu estava pensando sobre magia e da maneira que na magia é organizada e institucionalizada nos romances. Você tem essa idéia de bruxos solitários como Gandalf, você tem escolas de magia, como a que Harry Potter estuda, você tem um monte de livros, onde um assistente ensina um ou mais alunos e um mestre/aprendiz do modelo medieval. Então eu estava pensando em outros modelos e pensei: bem... e se a magia existisse em um crime organizado? Então a partir daí eu escrevi essa história alternativa, onde sempre houve magia/maldição. Menos de uma em mil pessoas têm a habilidade. Existem sete tipos de magia, divididas em maldição ou sorte:, sonhos, maldições mortais, maldições corporais, maldições emocionais, memória, morte e transformação (que quase ninguém tem). Em 1929, a magia foi proibida nos Estados Unidos. E, como a proibição levou ao surgimento dos cinco grandes famílias criminosas/clandestinas em Nova York, a proibição de magia maldição levou ao surgimento de todo o poder mágico, sendo controlada pela máfia. White Cat se passa em uma dimensão alternativa, que diz respeito a Cassel. Ele não é um amaldiçoador em si, mas descende de uma família de criminosos e malandros. Ele se lembra vagamente de ter matado acidentalmente a sua melhor amiga, Lila, quando ambos tinham 14 anos. Quando ele acorda no teto do seu quarto do dormitório com nenhuma idéia de como ele chegou lá, começa a perceber que talvez as lembranças se escondem mais do que está revelando. Ele tem que investigar o seu passado e descobrir quem realmente é e o que realmente fez.


Igor - Você já tem uma seqüência para White Cat? O livro é o início de uma série? 
Holly - Sim, será uma trilogia. A seqüência se chamará RED GLOVE e o terceiro livro se chamará BLACK HEART.


Igor - Foi difícil conseguir um agente para o seu primeiro livro?
Holly - Na verdade, eu vendi meu primeiro livro sem um agente. Quando um editor me pediu para publicar meu romance, estava tão surpresa e emocionada que eu não pensei em nada além da assinatura do contrato. Mais tarde, meu agente me repreendeu por isso.


Igor - Além do Brasil, há mais países que publicam seu livro. Como é a sensação de saber que milhares de leitores ao redor do mundo estão lendo o que você escreveu?
Holly - Spidewick foi publicado em 32 idiomas e The Moderny Fairie Tales em 17 idiomas. É realmente maravilhoso ouvir que as pessoas em diversas partes do mundo amam os livros e que os livros falam com eles.


Igor - Você achou satisfatória a adaptação cinematográfica de “As Crônicas de Spidewick”? Você se sentiu desconfortável com as divergências entre o livro e o filme?
Holly - Porque os livros e os filmes são mídias diferentes, acredito que os cineastas têm que mudar as coisas para fazer um bom filme de um livro. E acho que Mark Waters e todos os que trabalharam no filme fizeram um grande trabalho com a adaptação de As Crônicas de Spiderwick.


Igor - Você acha que a Internet fez com que seus livros fossem descobertos pelas pessoas? Na sua opinião, qual é a importância de estar em contato, mesmo virtualmente, com pessoas que gostam de seu trabalho?
Holly - Bem, é muito divertido ouvir os leitores e estou sempre on-line, seja no Twitter ou no meu blog, porque amo esse contato. Acho que a coisa mais importante para os escritores ao trabalhar em um livro, é estar afinado com a opinião de outras pessoas e procurar ouví-las sempre que possível, aliando aos seus gostos. É importante gostar do que você faz, ou os leitores podem perceber que você não está se divertindo.


Igor - Que dicas você daria para aqueles que querem começar a escrever? 
Holly - 1) Ler de tudo, nos mais diferentes gêneros – para ser um bom escritor, primeiro é importante ser um bom leitor.
2) Escrever e revisar aos montes - trabalho por meio de histórias é como você encontrar o seu tom.
3) Encontrar um outro escritor que gosta de livros semelhantes aos que você gosta e se tornarem parceiros crítica. Ter alguém para dizer o que está funcionando e o que não, é de valor inestimável e aprender a descobrir por que alguém da história não está tão verossímil para que você possa escolher o que é ou não útil pode ser fundamental no sucesso ou no fracasso de uma obra.
4) Não ser chato e não ser confuso. Os leitores são implacáveis com ambos.


Igor - Atualmente, muito se especula sobre o fim do livro impresso e o advento de um novo formato de mídia: o livro digital. Qual a sua opinião sobre essa questão? Você teme que o mercado editorial acabe como o mercado fonográfico, tendo de lidar com cópias ilegais todos os dias?
Holly - Há já muitos downloads ilegais de livros. Eu não consigo verificar todos eles - os leitores me ajudam, enviando links de aviso que meus livros estão hospedados ilegalmente de graça em algum lugar. Penso que desde que os preços sejam razoáveis e a formatação é flexível, a maioria das pessoas estão bem com pagar para  baixar livros digitais. Acho que o melhor é a qualidade de e-books. Talvez os livros digitais venham a salvar as editoras e não afundá-las.

PERGUNTAS RÁPIDAS
Um dia especial –> Eu amo nadar e agora eu moro muito longe do oceano. Assim, ir para a praia seria o meu dia especial.
Um livro –> Acabei de ler CHIME de Franny Billingsley, que foi fantástico.
Uma frase –> Hum… Vou lhe dar uma citação de WHITE CAT - "Não me lembro de ter subido as escadas até o telhado. Eu nem sei como cheguei onde eu estou, e tudo que consigo pensar é como vou fazer para descer, de preferência de uma maneira que não envolva morrer".
Uma música –> Eu estive ouvindo um monte de Nina Simone recentemente. Especialmente Sinner Man.
Um filme –> BRICK, é muito bom mesmo!
Um sonho/uma meta –> Espero que as pessoas gostem da minha nova série tanto quanto gostei de escrevê-la.


Igor - Finalmente, você gostaria de deixar um recado para seus leitores brasileiros?
Holly - Muito obrigada por terem lido meus livros!! Eu espero ter a oportunidade de conhecê-los algum dia.


Igor - Mais uma vez agradecemos a oportunidade. Espero que WHITE CAT seja um sucesso no Brasil e em vários outros países!
Holly - Thank you. Obrigada!


Espero que tenham gostado! 
Até a próxima!!

12 comentários:

  1. ADOREI a entrevista!
    Li a coleção das Crônicas de Spiderwick e adorei! Ela e o Tony arrasaram \o/

    Espero que possa ler outros livros dela em breve :)

    Beijocas!
    Juh Oliveto
    Livros & Bolinhos ~

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  2. Aaaah, essa é uma ÓTIMAAA forma de começar a semana!!! Uma entrevista da minha autora favorita, no meu blog favorito de livros. E que pessoa fofa a Holly Black demonstrou ser! E que entrevista ótima, você fez, Igor!!!

    Adorei, simplesmente adorei. Mal posso esperar para ler White Cat, sou apaixonada por Thithe e Valiant e sou doida pra comprar toda a coleção de as crônicas de Spiderwick, rs.

    Parebéns pela entrevista e pelo ótimo trabalho, seu blog é cada dia mais delicioso de se visitar.

    Beijos,
    Irine (Yami_no_Hime).

    PS: Depois de uma entrevista tão boa, até me animei de voltar a escrever meu livro.

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  3. Nossa, muito legal a entervista :)
    Não conhecia a autora direito (não li seus livros ainda), só sabia que tiham feito um filme das "As Crônicas de Spidewick". Não me interessei muito pelo filme, mas como os livros são, na maioria das vezes, diferentes do livro vou dar uma checada!

    Adoro muito suas entrevistas e resenhas!
    Abraço o/

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  4. caraca! Nunca tinha ouvido falar desse livro (“As Crônicas de Spidewick”), estou beem desinformada mesmo. =/

    beijos
    delly
    ~ Atraves da Nevoa ~

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  5. Ótima entrevista =)
    Já estou querendo ler faz um tempo As Crônicas de Spidewick, parece ser muito bom.

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  6. Mto boa a entrevista, a autora foi super simpática. Não li os livros dela, só vi o filme de “As Crônicas de Spidewick” e achei legal a história.

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  7. White Cat foi vendido pra alguma editora Brasileira? @_@
    Eu tenho o meu hardcover em inglês! É lindããããooo! Mas ainda não tive tempo pra ler :S
    AHHHH! Amei a entrevista! *-----*
    Queria muito que tanto a Holly Black quanto a Cassie Clare viessem pro Brasil! (E que, de preferência, eu consiga ir em algum evento de autógrafos, ou coisa do tipo :D).

    Beijooos :*

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  8. gostei da entrevista!!! muito boa!! gostei das "perguntas rápidas" hehehe

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  9. Gostei muito da entrevista. É sempre bom ver o ponto de vista de outras pessoas a respeito de vários assuntos. Parabéns pela coluna.

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