O Diário de Helga - Helga Weiss

"Quando vem o amanhã incerto a certeza me faz ver o inverso." {*}

O Diário de Helga é o diário de uma garota — Helga Weiss —, que nasceu em Praga em 1929. Seus relatos foram escritos entre 1938 e 1945, e, através de suas observações eternizadas em algumas páginas — através da escrita e de desenhos — entramos no dia-a-dia de uma criança que sobreviveu ao Holocausto.

O livro foi organizado em três partes. Na primeira, Helga, está em Praga vivendo com os pais. E, seus relatos começam quando os judeus começaram a sofrer algumas restrições. O toque de recolher, os lugares certos que poderiam frequentar, são um exemplo, e, além disso, passou a ser obrigatório o uso das estrelas amarelas em suas roupas. Tempo depois começaram os boatos sobre os transportes, no entanto, isso se concretizou, pois seus amigos, vizinhos, familiares começaram a ser levados para outros lugares, e, em meados de 1942, Helga e seus pais foram levados para Terezín, onde inicia a segunda parte do livro. Na terceira, e última, parte os relatos são de lugares variados, quando Helga foi levada para campos de concentração, como: Auschwitz, Freiberg e Mauthausen.

"Muitos — não, certamente todos — estão chorando em silêncio, mas nós não demonstramos nossas emoções. Para que dar esse prazer aos alemães? Jamais! Temos força para nos controlar. Ou deveríamos nos envergonhar de nossa aparência? Das estrelas? Dos números? Não, não é culpa nossa, alguém se envergonhará por isto. O mundo é apenas um lugar estranho." Página 63

No prefácio do livro, escrito pela Helga em 2012, ela explica que, por sua vontade, o diário foi publicado, da forma mais fiel possível, sua idade, ao escrevê-lo, estava entre 9 e 16 anos, então a linguagem é bem simples. Não foi vontade dela, alterar o texto original para deixar a escrita mais madura. E, esse fato faz com que a leitura fique mais leve, no entanto é um texto um tanto sensível, afinal, conhecemos o cenário de guerra sob a perspectiva de uma criança. Os relatos são reais, são crus, verdadeiros. Não me emocionei tanto durante a leitura como pensei que aconteceria, mas por vezes, eu ficava com um nó na garganta enquanto o lia.

"Pode-se suportar muito mais do que se imagina."  Página 150

Durante a leitura desse diário, um sentimento forte que ficou em mim, foi a incerteza do amanhã. Para todos nós. Através dos relatos da Helga, percebemos fortemente nossa vulnerabilidade nesse mundo, em nossa própria vida. No entanto é perceptível também, o quanto o ser humano é forte. Helga, apenas uma criança, sendo obrigada a realizar trabalhos degradantes, passando fome e vivendo em lugares insalubres, foi uma sobrevivente. Sim, nem  todos tiveram o mesmo destino que ela. Mas como relatado por ela, o mundo é apenas um lugar estranho, sim, é um mundo louco. Muitas vezes a melhor arma que temos é sermos fortes. Fazendo o possível para acordarmos em um amanhã melhor.


Livro: O Diário de Helga
Título Original: Helga's Diary
Autora: Helga Weiss
Organização: Neil Bermel
Tradução: George Schlesinger
Editora: Intínseca
Páginas: 240

6 comentários:

  1. Adorei A sua resenha!
    Ficou muito bem feita...
    Já tinha visto esse livro em algum lugar, mas não me lembro onde...
    Com certeza darei uma chance a ele... =)

    Adorei o seu blog, estou te seguindo!

    Beijos,
    C.

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    1. Oi, Carol.

      Obrigada pelo comentário! E fico feliz que tenha gostado do blog. :) Foi o primeiro diário de guerra escrito por uma criança que eu li. Não me emocionei tanto como pensei que aconteceria, mas gostei sim, da leitura. Beijos! :*

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  2. Nossa, esse livro deve ser muito bom! Nunca tinha ouvido falar, mas gosto muito de ler sobre a Alemanha nazista.

    Beijos ;*
    mihmihmih.com

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    1. É um assunto que, geralmente, me interessa também, Mih! Espero que tenha oportunidade de lê-lo. Beijos.

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  3. Oi Amanda! Tudo bem?

    Gostei dessa sua resenha... Me fez ter muita vontade de ler esse livro.
    Normalmente quando pensamos em livros sobre a Segunda Guerra, vem automaticamente O Diário de Anne Frank, mas com certeza existem muitos outros, tão bons quanto. E esse me pareceu ser um exemplo disso.
    Apesar de eu estar agora tentando controlar mais minhas compras, esse livro vai direto pra minha wishlist! Rs

    Beijos!
    Dani

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  4. Sua resenha me lembro Anne Frank, que li ano passado. O livro também me provocou nós na garganta (só chorei ou me emocionei meesmo no final do livro) e sentimentos de incertezas e vulnerabilidade. Esse tipo de relato sempre é muito tocante.
    Adorei sua resenha, agora fiquei com vontade de ler o livro, algum outro ponto de vista além do da Anne. Ainda mais de alguém que sobreviveu.
    Beijos

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